quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Era agora apenas mais um no topo da lista dos muitos enganos. Cada passo, um erro: assim lhe parecia. Este quase virara acerto por um tropeço descuidado da sorte. Quase - maldição de todas as coisas que nunca são. Já fazia um mês, dois talvez, que ela havia se segurado nisto como se fosse a grande revelação de sua vida. Enroscara-se nesta sólida coluna de ar qual as trepadeiras que, se lhes tiram o apoio, desfalecem. Desprendera-se de todo do chão que, subitamente, lhe parecera tão insólito e insuficiente. Agora, como não poderia deixar de ser, caíra. Despencara no momento mesmo em que a situação se mostrou tal como era. Sem chão, sem alicerce, sem destino, foi andando não sei sobre que ruas até chegar onde estava. Deparou-se com a cilada bifurcada do destino. À sua frente, a dúvida. Atrás de si, os enganos. Olhou para a frente. A estrada bífida exigia uma escolha.

Carolina Zuppo Abed

4 comentários:

Raoni Moura disse...

Talvez se fosse sempre uma linha reta, clara, sem fim seria tudo mais fácil. Mas não, tem que existir a incerteza, a insegurança, a dúvida, para que assim possamos, quem sabe, senir o sabor adocicado da certeza ou ver a neblina que virá pela frente.

Loreta disse...

Carol,

Fiz meu blog sem antes ter lido esse seu texto. Coincidência? Sintonia!

Loreta disse...

Não canso de reler esse seu texto. Ora se não sou eu a protagonista da sua alegoria!

Não é pretensão, é identificação! rs.

Raoni Moura e Carolina Zuppo Abed disse...

O mais incrível de escrever é perceber que podemos entender profundamente até mesmo aqueles que nem ao menos conhecemos...